Rocky - Um Lutador
(Rocky, 1976)
Direção: John G. Avildsen
Roteiro: Sylvester Stallone
Estréia - EUA: 21 de Novembro de 1976
Sinopse: Rocky Balboa (Sylvester Stallone), um lutador de boxe medíocre que trabalha como "cobrador" de um agiota, tem a chance de enfrentar Apollo Creed (Carl Weathers), o campeão mundial dos pesos-pesados, que teve a idéia de dar oportunidade a um desconhecido como um golpe publicitário. Mas Rocky decide treinar de modo intensivo, sonhando apenas em terminar a luta sem ter sido nocauteado pelo campeão.
Elenco: Sylvester Stallone (Rocky Balboa), Talia Shire (Adrian), Burt Young (Paulie), Carl Weathers (Apollo Creed), Burgess Meredith (Mickey), Thayer David (Jergens), Joe Spinell (Gazzo), Jimmy Gambina (Mike), Jodi Letizia (Marie), Bill Baldwin Sr.
"Rocky – Um Lutador" é um clássico dos
cinemas que abre de forma maravilhosa a
história que vai muito além dos ringues e
retrata anti-heróis e uma vida nada
glamourosa, tomando emprestado estilos
psicológicos dos personagens dos clássicos
filmes "noir".
É impossível não falar de Rocky e não vir à
cabeça uma cena de luta. Para a geração dos
20 anos, a franquia pode chegar até mesmo a
estar erroneamente gravada na memória. Rocky
ultrapassa os limites do ringue e vai muito
mais além, fazendo uma crítica ao estilo
americano de ser na década de 70 (e venhamos
e convenhamos, não mudou muito), buscando
também a questão do sonho que se concretiza
e que o ser humano, na história, é muito
mais do que um ser individualista, mas sim
uma somatória dos seus feitos e atos.
Rocky Balboa é o tipo de cara que sempre foi
mal interpretado. O seu jeito durão sempre o
colocaria na fila dos encrenqueiros. O
trabalho também não era o dos mais dignos,
como ser cobrador de dívidas de um mafioso,
mas morando na periferia de Filadélfia, o
que mais uma pessoa que completou os estudos
até sétima série poderia fazer? Boxeador,
claro. Era apenas mais um bico, para ganhar
um dinheiro extra, mesmo que fosse 17
dólares quando perdesse ou 45 quando
ganhasse. E é vivendo essa vida sem um
futuro aparente, seguindo dia após dia,
compartilhando suas lamentações e
felicidades com Zás e Trás (tartarugas
domésticas) e Moby Dick (um peixinho
dourado) que Rocky segue a sua vida. Com
cara de encrenqueiro, mas com um bom
coração. Apaixonado por Adrian, a tímida
atendente da loja de bichos de frente ao
ginásio onde treina boxe, Rocky tenta ganhar
a sua vida da forma como pode. E a
oportunidade surge quando a luta do
bi-campeão mundial de peso-pesado Apollo
Creed (na versão dublada com o nome de
Apollo Doutrinador) corre o risco de ser
adiada. O adversário de Creed, Mack Lee
Green acaba quebrando a mão e fica
impossibilitado de lutar contra o bi-campeão
no dia do bicentenário da independência dos
Estados Unidos. Outros lutadores famosos
acabam negando a luta, com a desculpa de que
cinco semanas não seriam o suficiente para
enfrentar o bi-campeão. Aí surge a idéia,
dada por Creed, de que "na terra da
oportunidade", o sentimentalismo de oferecer
a vaga a um lutador local pela disputa do
cinturão de campeão de pesos-pesados. Rocky
não é escolhido por sua forma de lutar ou
outra qualidade necessária a enfrentar o
campeão. Sua escolha é devido simplesmente
ao nome fictício que usa nos ringues de
"Ganharão Italiano", já que nome assim
soaria melhor em uma publicidade. Mas Rocky
vê nesse momento a chance de mostrar que não
é só mais um perdido no mundo, e, levando a
sério seus próprios conselhos dados à jovem
Marie (uma jovem que mora no bairro), ele
sabe que é por sua reputação que será
lembrado. Rocky em nenhum momento acha que
possui chances de vencer Apollo Creed.
Afinal, como vencer um bi-campeão dos pesos
pesados? Ele segue a filosofia de que não
precisa vencer, basta fazer algo que nunca
ninguém havia feito antes, agüentar os 5
rounds da luta. E entre seu treinamento, a
descoberta do romance com Adrian e o
convívios com as pessoas próximas de si,
Rocky traçará o momento que o levará a se
tornar imortal diante do país.
A história do filme, criada originalmente em
apenas três dias pelo próprio Sylvester
Stallone, foi embasada em um momento em que
o ator, descrente de sua vida em Hollywood,
entre várias tentativas nada bem sucedidas
de seguir sua carreira como ator, com pouco
dinheiro no bolso e morando em um pequeno
quitinete de 3x4m junto com seu cachorro,
assiste a uma luta entre Muhammad Ali e
Chuck Wepner. Durante a luta, Wepner fez
algo que nunca ninguém havia feito na vida:
nocauteado Muhammad Ali. Mesmo não ganhando,
Wepner ficou marcado na história do boxe
mundial por nocautear um campeão dos boxes.
Foi justamente deste momento que Sly
(apelido de Sylvester Stallone) deu asas à
criação do primeiro tratamento de Rocky, que
logo chamou a atenção de Irwin Winkler e
Robert Chartoff. Passando por diversos
tratamentos, o roteiro chegou a sua versão
final, um tanto diferente da inicial, que
era bem mais sombria. Stallone também
recebeu somatórias enormes (chegando a 450
mil dólares) para não assumir o papel
principal de Rocky, todas elas, negadas de
pronto pelo ator.
O roteiro final toma por base o psicológico
de alguns personagens que marcaram o cinema
da década de 40, intitulado como filmes "Noir".
Personagens descrentes da sociedade,
ambíguos, alienados, formam a galeria final
de alguns principais e secundários da
franquia, o que acaba por dar uma
caracterização muito mais realista ao filme,
tirando um pouco da mágica e do sonho que
tanto envolve o cinema Hollywoodiano. Junto
a estes personagens, há uma crítica à
sociedade americana do espetáculo, que se
torna fantoche ou marionete diante a uma
mídia inescrupulosa e completamente voltada
para o entretenimento. Claro que o roteiro
não deixa de incutir disfarçadamente o
"sonho americano" do pobre desconhecido que
se torna visível da noite para o dia, não
sem batalhar pelo seu lugar ao sol, porém o
que vale muito mais no processo é a forma
como se vive, como se percorre esse caminho
do que o objetivo final.
Também é visível um estilo completamente
diferente em direção. A direção dos filmes
naquela época ainda se permitia a longas
tomadas, algo ainda vindo das décadas
anteriores, que trabalhavam com um estilo
muito mais de teatro do que de televisão.
Planos abertos, movimentos de câmeras e
"zoom" que aproveitavam muito mais
expressões ao invés da excessiva quantidade
de cortes hoje, que leva o cinema a cada vez
mais se assemelhar com a linguagem
televisiva do que algo mais diferente.
A moral defendida na história também é
refletida nos bastidores do projeto. Uma
produção com orçamento de um pouco mais de
um milhão de dólares conseguiu faturar 117
milhões de dólares. Filmado em 28 dias, o
resultado final do projeto foram suas nove
indicações ao Oscar (Melhor Roteiro Original
– Sylvester Stallone - , Melhor Ator –
Sylvester Stallone -, Melhor Atriz – Talia
Shire -, Melhor Ator Coadjuvante – Burt
Young e Burgess Meredith -, Melhor Trilha
Sonora, Melhor Som), sendo responsável por
faturar 3 estatuetas (Melhor Filme, Melhor
Diretor e Melhor Edição). Além disso, o
filme foi eleito diversas vezes nas
premiações do Instituto Americano de Filme,
como Rocky Balboa ser o sétimo herói da
história cinematográfica americana, ser o
quarto filme mais empolgante, estar entre os
100 filmes que marcaram a história do
cinema, e no ano de 2006, o roteiro deste
filme foi eleito como o melhor roteiro de
todos os tempos pelo Sindicato dos
Roteiristas da América.
Tudo isso e seria impossível não falar
realmente das atuações do filme, que seja na
versão dublada (que não perde em nada) ou
legendada, não deixam em nenhum momento de
serem tão grandiosas. Rocky Balboa é o
melhor personagem e a melhor atuação de
Sylvester Stallone, que consegue passar para
o filme todo o peso seu personagem, um dos
poucos momentos mais marcante da vida do
ator. Talia Shire consegue viver de forma
espetacular a tímida Adrian, e através dos
seus olhos, e uma expressão um tanto apática
consegue dar vida a uma interessante
personagem, que visivelmente se completa com
Rocky. Burt Young, no papel do irmão
canalha, consegue equilibrar entre o ódio e
o amor do público, o que de certa forma
acaba cativando um certo carinho pelo
personagem, assim como acontece com o
rabugento treinador de Rocky, Burgess
Meredith. Uma galeria de personagens que
também ficaram marcados na história do
cinema.
Sem nenhuma exacerbação, "Rocky – Um
Lutador" é um dos melhores filmes do século
XX, com certeza estará gravado na memória de
muitos e ainda funciona para várias
gerações. Basta apenas que parte do público
esqueça o estigma da "Sessão da Tarde".
COTAÇÃO: 9/10Curiosidades
- As gravações de Rocky
levaram apenas 28 dias
- Sylvester Stallone sofreu algumas
distensões e sérias dores durante as
gravações das primeiras cenas de preparação
física de Rocky Balboa.
- Carl Weathers foi contratado pela sua
atitude, quando, ao fazer a leitura do
roteiro com Stallone, disse: "Se você me
trouxer um ator de verdade, eu faço melhor".
- A cena de patinação no gelo com Adrian e
Rocky foi alterada de última hora, já que
Sylvester Stallone não sabia patinar.
- As cenas da luta final do filme foram
filmadas na ordem inversa de forma a
começarem poela maquiagem mais pesada para a
mais leve.
- Só permitiram que Stallone ficasse com o
papel de Rocky caso a produção do filme não
ultrapassasse o valor de um milhão de
dólares.
- Stallone recebeu ofertas de 450 mil
dólares para não atuar no filme.
- O filme tinha um final alternativo, onde
fãs de Creed e fãs de Balboa os carregariam
nos ombros, mas devido aos poucos extras e a
alguns murros que os atores levaram dos
extras, a cena foi cortada.
- A cena em que ocorre o primeiro beijo
entre Balboa e Adrian não foi roteirizada do
jeito que foi filmada. No dia da gravação da
cena, a atriz Talia Shire estava gripada e
teve receio de deixar Stallone doente. Este
receio foi aproveitado no filme.
- Bette Middler recusou o papel oferecido
para viver a personagem Adrian.
- As fotos de Rocky Balboa quando criança no
apartamento dele, são realmente fotos de
Stallone quando jovem.
- As duas cenas do treinamento de Rocky,
onde ele sobe as escadarias do Museu da
Filadélfia foram filmadas com uma diferença
de duas horas.
- A cena em que Tony Gazzo usa sua bomba
contra asma enquanto conversa com Rocky não
estava planejada. O ator realmente estava
tendo uma crise asmática durante a cena.
- Susan Sarandon fez um teste para o papel
de Adrian.
- Sylvester Stallone deixou de fumar durante
as gravações do filme já que o hábito estava
deixando-o sem ar durante as gravações.Rocky II - A Revanche
(Rocky II, 1979)
Direção: Sylvester Stallone
Roteiro: Sylvester Stallone
Estréia - EUA: 15 de Junho de 1979
Sinopse: Após o término do confronto contra Apollo Creed (Carl Weathers), Rocky (Sylvester Stallone) promete à Adrian (Talia Shire), sua esposa grávida, que irá largar os ringues de boxe. Porém, Apollo quer provar que Rocky não foi nocauteado por acaso e, como este está sem dinheiro, promovem outra luta entre os dois pugilistas.
Elenco: Sylvester Stallone (Rocky Balboa), Talia Shire (Adrian), Burt Young (Paulie), Carl Weathers (Apollo Creed), Burgess Meredith (Mickey), Tony Burton (Treinador de Apollo), Joe Spinell (Gazzo), Leonard Gaines (Agente), Sylvia Meals (Mary Anne Creed), Frank McRae (Meat Foreman), John Pleshette (Diretor), Stu Nahan (Anunciante), Bill Baldwin Sr. (Comentarista), Paul Micale (Padre Carmine)
Seguindo o sucesso imenso de bilheteria
do primeiro filme, "Rocky II – A Revanche"
perde um pouco da inovação do longa anterior
da franquia, mas ainda assim não deixa cair
a qualidade do roteiro, novamente escrito
por Stallone, e ainda consegue se manter
dentro da linha dos ideais do filme.
Stallone está de volta reprisando o
personagem que marcou a sua carreira.
Chegando aos cinemas em julho de 1979,
"Rocky II – A Revanche" continua o primeiro
filme exatamente de onde ele parou. Após a
sua primeira grande luta, Rocky está muito
machucado. A sua intenção de permanecer até
o último round com Apollo Creed no ringue,
fato nunca antes acontecido, lhe causou
sérios danos. Entre eles a perda da visão
periférica do lado esquerdo. Condenado a
largar o boxe por correr risco de ficar cego
em um próximo embate, Rocky agora segue sua
vida. Ele finalmente casa com Adrian, e, com
o dinheiro que ganhou da luta anterior,
tenta dar o melhor que pode para sua esposa.
Mas, claro, sem poder lutar, e sem outra
fonte de renda, Rocky terá que arranjar um
jeito de ganhar a vida, já que Adrian está
esperando um filho seu. Com um grau de
escolaridade baixa, a única coisa que ele
pode conseguir são trabalhos braçais, já que
sua tentativa de se tornar garoto propaganda
(aproveitando o sucesso conquistado na luta
contra Creed) foi um verdadeiro fiasco.
Porém, em um Estados Unidos que se diz ser
"a terra da oportunidade", a única que
realmente bate à porta de Rocky é voltar ao
ringue para uma revanche com Apollo Creed,
que passou a ser avacalhado pelos fãs do
boxe após a luta com Rocky. Enfrentando as
adversidades da sociedade e correndo sérios
riscos em uma segunda luta com o campeão dos
pesos pesados, uma nova batalha é marcada
para provar quem é o melhor no mundo dos
esportes.
A motivação que poderia ser na verdade um
fiasco, ou apenas mais uma desculpa
esfarrapada para uma continuação de uma
franquia de forma a aproveitar-se do sucesso
de bilheteria do filme anterior, nesta
continuação não se torna tão execrável
assim. Isso, claro, devido ao forte roteiro,
que mostra que na verdade a revanche entre
Apollo Creed e Rocky Balboa não está apenas
amarrada a simples desculpa de se ter uma
segunda luta, mas sim ao fato de mostrar bem
o lado psicológico das duas personagens.
Rocky primeiramente tenta ganhar sua vida
fora dos ringues. O lutador mesmo não quer
retornar às lutas, chegando a dizer em uma
entrevista de emprego: "Já levou 500 socos
na cara em uma noite só? Depois de um tempo
começa a doer". Isso mostra que Rocky,
quando retorna ao ringue, não é só mais por
um orgulho masculino ferido qualquer, mas
sim porque é realmente a única coisa que ele
sabe fazer na vida: lutar.
O lado psicológico "noir" das personagens
está presente no roteiro, embora de forma
mais leve do que no primeiro filme. Claro
que muitos fatores ajudaram para essa
mudança, mas, ainda assim, eles se fazem
presentes e poderiam estar muito mais ainda,
como no personagem de Paulie, que, de uma
hora para outra, deixa de ser o canalha
adorável do primeiro filme e passa a ser
apenas mais um personagem secundário neste
segundo.
Stallone e Burgess Meredith reprisam seus
papéis de Rocky e treinador Mickey de forma
majestosa, assim como Thalia Shire. Stallone
consegue passar uma veracidade nos
movimentos (sempre irriquieto, conhecido no
teatro pelo termo de 'palco quente', e um
dos maiores pecados de um ator), que ficou
característico de Rocky, bem como os seus
semi-socos no ar (coisa que nenhum boxeador
faz normalmente) e o seu jeito lento de
falar, o tornam um dos personagens mais
sinceros e cativantes do meio
cinematográfico. É uma pena que, a partir do
terceiro filme, estes pequenos detalhes
começaram a ser esquecidos, transformando a
franquia em apenas mais um filme de boxe. O
resto do elenco está comedido e reprisando
de forma impecável seus papéis do primeiro
filme.
A novidade é que Sylvester Stallone chega à
direção neste projeto. Além do roteiro e da
coreografia da luta, ele mostra ter sido um
aluno aplicado, seguindo bem os mesmos
passos e estilo de direção de John G.
Avildsen, diretor do primeiro filme. Os
mesmo estilos de planos, com a diferença de
não trabalhar tanto mais o estilo documental
na luta final entre Balboa e Creed, o que
fez perder um pouco da emoção da luta. Mas
ganha excelentes pontos quando, no final,
resolve optar por não criar uma conclusão
piegas e totalmente previsível, criando, o
que afirmo ser, um dos melhores momentos de
tensões da história cinematográfica, fazendo
com que o espectador respire aliviado com o
final da luta, e seja embalado ao som da
música tema criada especialmente para o
filme (os mais novos que acompanham o
programa televisivo de Luciano Huck podem
lembrar da música tema, que é usada em uma
versão dance atual de "Can You Feel It").
Personagens cativantes, reais e a superação
das dificuldades com muita força de vontade
são os ingredientes básicos que fazem dos
primeiros episódios da franquia "Rocky" um
dos maiores filmes do século XX, que vale a
pena ser visto e revisto inúmeras vezes,
principalmente para os fãs do bom filme.
COTAÇÃO: 8/10Curiosidades
- Este é, ao lado de
Rocky V, um dos únicos filmes a ganharem
menos de 100 milhões de bilheteria só nos
cinemas americanos (sem contar com a
bilheteria americana de Rocky Balboa), com
85 milhões nos cinemas americanos mais 200
milhões pelo mundo todo.
- Este é o último filme que mostra os
cantores da vizinhança de Rocky. Entre os
cantores, um deles é o irmão de Stallone.
- Este é o último filme a retratar Rocky
morando no subúrbio de Filadélfia. Rocky só
retorna ao subúrbio no quinto e no sexto
filme da franquia.
- Rocky leva Adrian para passear em um
zoológico logo depois que sai do hospital.
Essa é uma referência ao primeiro filme,
quando o motorista de Gazzo diz que Rocky
deveria levá-la para passear em um
zoológico.
- O pedido de casamento que Rocky faz a
Adrian no zoológico tem ao fundo um Tigre. O
animal viria se tornar tema de música na
franquia de Rocky.
- Novamente menção ao Tigre quando ele
compra um casaco com o desenho do animal nas
costas, e passa mais da metade do filme
usando o casaco.
- Em uma cena em que ele brinca com as
crianças do bairro, Sylvester Stallone usa
uma fita vermelha na cabeça. A fita viria
voltar a ser usada em 1982, no primeiro
filme de Rambo. A mesma fita vermelha é
usada mais algumas vezes durante o seu
treinamento antes da luta.
- Novamente ele continua com sua mania de
quicar uma bola, mania apresentada na
primeira cena do primeiro filme, quando ele
caminha para casa depois de uma luta de boxe
no bairro.
- Sylvester Stallone teve um sério machucado
no músculo peitoral durante as gravações das
cenas dos treinos.
- Em uma versão anterior do roteiro, há uma
cena que não foi filmada, onde mostra o
primeiro encontro de Rocky e Mickey. Lá
descobrimos que o verdadeiro nome de Rocky é
Robert.
- Os nomes das tartarugas de Rocky assumem
na versão dublada, o mesmo nome original,
Cuffin e Link. No primeiro filme eles foram
traduzidos para Zás e Trás.
- “Rocky II” acontece entre o período de
janeiro a novembro de 1976, apesar do filme
ser de 1979.
- Cerca de 800 crianças foram usadas nas
cenas em que uma multidão corre atrás de
Rocky em seu treinamento.
Rocky III - O Desafio Supremo
(Rocky III, 1982)
Direção: Sylvester Stallone
Roteiro: Sylvester Stallone
Estréia - EUA: 28 de Maio de 1982
Sinopse: Após ter sido derrotado por Clubber Lang (Mr. T), um novo e temível adversário, Rocky (Sylvester Stallone) passa a ser treinado para a luta revanche por Apollo Creed (Carl Weathers), seu antigo rival, que deseja de Rocky apenas um pequeno favor em troca dos seus serviços.
Elenco: Sylvester Stallone (Rocky Balboa), Talia Shire (Adrian), Burt Young (Paulie), Carl Weathers (Apollo Creed), Burgess Meredith (Mickey), Tony Burton (Duke), Mr. T (Clubber Lang), Hulk Hogan (Thunderlips), Ian Fried (Rocky Junior), Al Savani (Al), Wally Taylor (Empresário de Clubber Lang), Don Sherman (Andy), Gene Crane (Prefeito), Bill Baldwin Sr. (Comentarista)
Decaindo e muito na qualidade do roteiro,
Sylvester Stallone conseguiu um sucesso de
bilheteria, embora este terceiro seja um dos
mais fracos dos cinco filmes, já que perde a
essência das personagens para focar-se nas
lutas. Um dos maiores erros cometidos na
franquia.
Tudo que é bom dura pouco. E, claro, tudo
que tem um começo, tem um fim. Mas como
perceber quando se chega ao clímax e tudo o
que se vê pela frente é somente uma bela de
uma queda? Dentro da franquia Rocky,
acredito ser no terceiro filme da série que
se dá início ao fim de uma era.
Rocky agora é campeão de pesos-pesados, dono
do cinturão que, com orgulho, defendeu dez
vezes durante o embaçado tempo cronológico
que separa o segundo do terceiro filme.
Embaçado porque diversas vezes você chega a
se perder na cronologia, caso você seja
daqueles cinéfilos chatos que não perdoa a
aparição do microfone no alto da tela. Bom,
mas continuando. Agora Rocky não mora mais
na periferia. Aliás, parece até que esqueceu
o que era a periferia. Aquele garoto com
cara de mal, mas que não passava de um
crianção, que era o maior atrativo da
personagem, desapareceu. Agora deu lugar a
um engravatado e, mesmo que bobo, não é mais
o mesmo que conhecemos na última luta. Agora
mora em uma mansão, tem um filho já com seus
5 ou 6 anos, uma limusine. Virou garoto
propaganda do American Express, apareceu em
programas como "The Muppet Show" (note que,
no segundo filme, Rocky não conseguia nem
falar direito as frases que ele tinha que
ler durante um comercial). Mas, para
demonstrar que Rocky não se vendeu
completamente, ele continua lutando, mas
luta para caridade. Suas lutas são para
levantar dinheiro para fundações. Até o
momento em que ele é desafiado por Clubber
Lang, um lutador que veio do nada, e
completamente arrogante (perceba, o velho
clichê chato do inimigo arrogante que com
certeza irá perder!) desafia Rocky para uma
luta em disputa do título de campeão dos
pesos-pesados. É então que ele descobre que
Mickey, visando o melhor para Rocky, fazia
com que este ganhasse as lutas, visto que
pretendia que o lutador não piorasse a sua
saúde (o olho esquerdo ruim, do segundo
filme), no entanto, Rocky não sabia da
armação. Então, determinado a provar para si
mesmo, após o enfarte de Mickey, ele se
junta ao seu antigo inimigo, Apollo Creed
(ou Apollo Doutrinador na versão dublada),
para manter o título de campeão dos pesos
pesados.
Se você é um fã da franquia, se apaixonou
pelo jeito de ser dos personagens, aquela
realidade crua que era, de certa forma,
retratada nos dois primeiros filmes, pode se
decepcionar e muito com este episódio da
franquia. Primeiro porque tudo o que havia
de atrativo no filme, que, por incrível que
pareça, não se resumia somente às lutas,
desaparece como em um passe de mágica aqui.
O que talvez tenha sido o maior problema
para a franquia, é que as lutas não eram o
ápice do filme. Elas se tornavam o ápice
devido a toda a caminhada, o percurso e os
obstáculos que apareciam à frente dos
personagens principais.
O filme deixa de ser um projeto com uma
moral social e passa a ser um pipocão, com
muita imagem, uma história, mas quase nada
de conteúdo. Não digo aqui que o filme seja
vazio diante a história da franquia. A série
é tão interligada em si que é difícil você
assistir hoje a Rocky Balboa, sem ter visto
os filmes anteriores, já que muitos detalhes
são revividos em cada novo episódio da saga.
Porém o terceiro filme esquece completamente
desses pequenos detalhes e transforma o
longa (um dos menores em duração da
franquia) em apenas enchimento de lingüiça,
que pode ser que você nem precise dele para
acompanhar a série.
Mas, claro, não há nada melhor do que ver um
personagem carismático como Rocky crescer na
vida. Na verdade, o maior atrativo deste
filme é direcionado para aqueles que
realmente são fãs e que sentem um aperto no
coração quando têm que dizer adeus ao
personagem, na hora em que a imagem congela
e os créditos sobem.
Stallone não se desvencilha dos maneirismos
que pegou com John G. Avildsen, e não se
torna um diretor nato, mas sim estagnado, e
não criando nada de inovador para série. O
roteiro, também escrito por Stallone, apenas
segue a tendência do mercado de criar mais
um sucesso de bilheteria para MGM, o que faz
de forma espetacular, já que este e o quarto
filme são os maiores arrecadadores de
bilheteria da franquia.
O desprender das raízes do filme é tão
grande que os personagens do elenco de
apoio, como a esposa Adrian, o cunhado
Paulie, Apollo Creed e Mickey se tornam
meros coadjuvantes, que simplesmente estão
no filme para figurarem como fantoches ao
lado de Rocky, e até mesmo a explosão de
raiva de Adrian com Rocky durante o
treinamento soa superficial e falso,
diferente da sua primeira explosão de raiva
com Paulie, no primeiro filme.
"Rocky III – O Desafio Supremo" não é ruim,
mas também não chega nem aos pés dos dois
primeiros filmes e acaba se tornando apenas
mais um projeto dentro da franquia. Mas como
já diz o ditado: "Tudo que sobe, tem que
descer", e o que vale nessa hora é se a
queda vai ser suave ou brusca.
COTAÇÃO: 5/10Curiosidades
- A estátua de Rocky
erguida no filme permanece intacta na cidade
de Filadélfia.
- “Rocky III - O Desafio Supremo” rendeu
somente nos Estados Unidos cerca de 125
milhões de dólares em bilheteria.
- Ele é o segundo filme de maior arrecadação
da franquia, perdendo por três milhões para
o quarto filme.
- A cena de luta entre Thunderlips e Rocky,
ainda no começo do filme levou 10 dias para
ser filmada. Só para comparar, o primeiro
filme da franquia levou 28 dias para ser
todo filmado.
- A diferença de tamanho apresentada no
filme entre Stallone e Hulk Hogan é real.
- Somente neste episódio da franquia é
apresentado o sobrenome do treinador de
Rocky: Mickey Goldmill.
- A mulher loira que aparece durante o
treino de Rocky e pede para dar um beijo em
seu rosto é na verdade a primeira mulher de
Stallone.
- O papel do inimigo de Rocky, Clubber Lang,
foi oferecido primeiramente para Earni
Shavers, boxador de peso-pesado. Mas durante
os ensaios das lutas o boxeador acabou
quebrando duas costelas de Stallone, e foi
logo substituído por um ator.
- Joe Frazier, que aparece no ringue no
primeiro episódio da franquia, foi
considerado para o papel de Clubber Lang.
- Hulk Hogan, que interpreta o lutador de
luta-livre, Thunderlips, quando convidado
pela primeira vez para fazer parte do filme,
achou que era uma piada de algum outro
lutador.
- A música "Eye of Tiger", que virou marco
na franquia, veio substituindo a música "Another
One Bites the Dust" do Queen.
- Confusão na cronologia. O filme repetidas
vezes faz crer que os acontecimentos se
passem três ou cinco anos depois, embora
Rocky em um determinado momento fale que se
passaram 6 anos desde o primeiro filme.
Porém na lápide de Mickey a data da morte é
de 15 de agosto de 1982.
- Os narradores da luta do segundo filme
estão de volta neste terceiro filme, porém
este é o último filme de Bill Baldwin, que
veio a falecer em novembro de 1982.
- Algumas imagens do público da luta final
deste episódios são na verdade cenas do
segundo filme.Rocky IV
(Rocky IV, 1985)
Direção: Sylvester Stallone
Roteiro: Sylvester Stallone
Estréia - EUA: 27 de Novembro de 1985
Sinopse: Apollo (Carl Weathers) morre em uma luta com Drago (Dolph Lundgren), um invencível lutador russo. Assim, Rocky (Sylvester Stallone) decide ir até a União Soviética para enfrentá-lo e vingar o amigo.
Elenco: Sylvester Stallone (Rocky Balboa), Talia Shire (Adrian), Burt Young (Paulie), Carl Weathers (Apollo Creed), Brigitte Nielsen (Ludmilla)
Tony Burton (Duke), Michael Pataki (Nicoli Koloff), Dolph Lundgren (Drago), Dominic Barto (Oficial do governo russo), James Brown (Padrinho do Soul), Rose Mary Campos (Maid), Jack Carpenter (Motorista da KGB), James "Cannonball" Green (Manuel Vega), Dean Hammond (Entrevistador), Rocky Krakoff (Rocky Jr.)
O quarto filme da franquia "Rocky" pode
não apresentar a seriedade dos dois
primeiros filmes da série, mas, visto como
uma legítima diversão passageira, o filme
cumpre seu dever com primor. Um adversário
bacana para o protagonista e uma subtrama
política fazem de "Rocky IV" um bom
passatempo.
Desde o filme anterior, a franquia "Rocky"
havia perdido em partes sua identidade, se
transformando em mais uma série caça níquel
com um conteúdo cada vez rasteiro. Faz
sentido, afinal, o personagem Rocky já havia
se estabelecido tanto financeiramente como
emocionalmente. Todo aquele seu drama para
mostrar que sua habilidade com lutas
supriria sua falta de inteligência, seu
conflito interno para mostrar que não é mais
apenas mais um lutador de bairro, a
importância de sua esposa Adrian em sua
vida, tudo isso já havia sido abordado de
maneira correta nos dois primeiros, deixando
um enorme buraco para o que seria abordado
nos filmes adiantes. O que sobrou? Muita
porrada. Após um mediano "Rocky III – O
Desafio Supremo", o quarto filme, novamente
dirigido, roteirizado e estrelado por
Sylvester Stallone, chega seguindo a linha
de divertir sem precisar muito o cérebro. E
acaba por conseguir com méritos.
Rocky Balboa (Sylvester Stalone) está frente
a frente com o seu maior mortal adversário:
o soviético Ivan Drago (Dolph Lundgren), um
atleta desenvolvido pela cibernética
soviética. Após a implacável destruição de
seu treinador e amigo pessoal Apollo Creed
(Carl Weathers), vencer Drago torna-se a
grande obsessão de Rocky. Isto o leva até às
estepes geladas da Sibéria, onde, sob
condições subumanas, Rocky treina
intensivamente para a luta mais perigosa de
sua vida.
A mudança de estilo se percebe logo no
início, quando Rocky dá de presente de
aniversário para seu cunhado Paulie um robô
– fêmea, diga-se de passagem – que faz
simplesmente tudo, semelhante aquela
serviçal da família Jetsons, do desenho de
Hanna Barbera. Algo, no mínimo, absurdo,
para quem acompanhou Rocky no começo do
primeiro filme apanhando para conseguir
míseros quarenta dólares. Mas o filme
consegue não cair no ridículo, pois, pela
primeira vez, uma trama política é
apresentada na franquia, deixando o quarto
filme bem mais interessante do que
aparentava de início.
A inclusão na trama de um adversário russo
que anseia a profissionalização do boxe na
União Soviética é interessante, pois entra
em pauta novamente todo um contexto de
Guerra Fria. No momento em que os
americanos Rocky ou Apollo Creed entram num
ringue contra o russo, não é mais apenas uma
luta de boxe, e sim, toda rivalidade
capitalismo versus socialismo, uma briga de
nações que vem à tona. E o roteiro faz
questão de muitas vezes atenuar esse
conflito, como quando a esposa do lutador
russo Ivan Drago afirma que a mídia faz de
tudo para mostrar que a URSS é o vilão do
mundo, e os EUA os heróis. Algo delicado
para um típico filme pipocão americano. Mas
Stallone ainda bota muita palha na fogueira,
ao aproveitar o estereótipo de Apollo Creed
(um patriota exibicionista ao extremo), e
alfineta feio os soviéticos quando ele chega
para lutar com Drago vestido de George
Washington enquanto o ginásio é tomado por
um verdadeiro show de James Brown cantando
"I live in América".
Acertadamente, o sentimentalismo que marcou
os primeiros filmes, está muito bem
presente, ainda que de maneira mais leve.
Afinal, Rocky mais uma vez tem que lidar com
a morte de alguém especial (afinal, ele
nunca seria ninguém sem Apollo Creed, seja
como adversário, seja como amigo) e a luta
da "revanche" não se trata apenas de
vingança, mas uma série de fatores que mexem
com o psicológico de nosso protagonista.Vale
lembrar que a importância de Adrian em sua
vida, e sua eterna preocupação para com a
saúde do marido também são mostradas, para
não descaracterizar por completo a franquia.
Impressionante como Stallone consegue fazer
uma direção firme, não deixando cair o ritmo
em nenhum momento. Sensacional o longo
momento de fluxo de consciência de Rocky
quando este, abalado pela morte de Apollo,
dirige sem rumo preocupado com a luta da
revanche, e uma série de flashbacks dos três
filmes anteriores são apresentados em
rápidos intervalos. Ele acerta ao mostrar
não apenas cenas de Rocky com Apollo, mas
sim, momentos de importância de toda sua
vida, como o primeiro beijo em Adrian, seu
treinamento esmurrando carnes, quando atirou
um objeto com desgosto em sua própria
estátua no terceiro filme, a morte de seu
eterno treinador Mickey, etc. Isso para
simbolizar que sua luta com Ivan Drago não
representava apenas uma vingança...ele
estará representando seu país em meio a uma
guerra, e acima disso, seu nome estará em
jogo, assim como sua própria vida.
Méritos para a direção de Stallone também na
fantástica cena de treinamento, em que é
feito um paralelo entre os dois lutadores.
Enquanto Rocky mantém-se firme ao seu
treinamento primitivo baseado em corridas,
cortar lenhas, puxar carroças, tudo sem
quaisquer ajuda de equipamentos; o russo
utiliza uma série de equipamentos de última
tecnologia, desde esteiras simples,
computadores modernos,a medidores de
potência de socos e..., anabolizantes (mais
uma alfinetada a União Soviética). Para
muitos, pode ser considerado um exagero de
provocação ao apresentar a Rússia comunista
apresentar um avanço enorme em tecnologia em
comparação ao treinamento precário do atleta
dos EUA capitalista. Deixando de lado esses
detalhes, são momentos de pura adrenalina
que, juntamente com a trilha de fundo "Burning
Heart", da banda Survivor, valem o filme.
O que garante muito a emoção é o ótimo vilão
vivido por Dolph Lundgreen (onde será que
ele anda hoje?). Mesmo falando menos de meia
dúzia de palavras durante todo o filme, ele
assusta pelo seu jeito durão e com um porte
físico amedrontador. Após fazer um caldo com
Apollo Creed, é mais do que natural a
preocupação de Rocky com sal própria vida. E
vale salientar que o duelo entre os dois
talvez só não seja superior ao dele contra
Apollo Creed no primeiro filme. Uma
emocionante luta de um campeão mundial
contra uma verdadeira muralha russa, quase
imune a pancadas, em nome de uma força maior
(detalhe que a própria luta em si não era
autorizada pela Federação de Boxe).
Paras os fãs dos dois primeiros filmes,
ainda pode ficar o gosto de decepção pelo
drama do lutador ter virado definitivamente
uma franquia de ação. Mas sendo encarado
como diversão gratuita, "Rocky IV" é um
prato cheio. Patriotismos à parte, no fim,
Stallone até tenta esboçar através de seu
personagem uma mensagem de paz mundial. No
fim das contas, é o filme dele em jogo.
COTAÇÃO: 7/10Curiosidades
- “Rocky IV” arrecadou
128 milhões de dólares nos Estados Unidos e
300 ao redor do mundo, sendo o filme de
maior arrecadação da franquia (sem contar
com “Rocky Balboa”)
- O papel de Ivan Drago é o primeiro papel
importante de Dolph Lundgreen nos cinemas.
Antes, ele havia feito apenas uma Ponta em
“007 – Na Mira dos Assassinos”. Depois de
“Rocky IV”, ele virou uma grande promessa de
astro de filmes de ação, tendo atuado em
filmes como “Mestres do Universo”, “O
Justiciero” e “Soldado Universal”.
- Este é o único filme da série em que a
canção-tema de Rocky, “Gonna Fly Now”, não é
tocada.
- Na cena em que Rocky está dirigindo seu
carro e tocando a música “No Easy Way Out”,
passam flashbacks de todos os três filmes
anteriores a este.
- Quando foi lançado, em plena Guerra Fria,
o filme gerou conflitos entre os Estados
Unidos e a Rússia. Inclusive, o então
presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan
disse que "Rocky é a melhor propaganda da
Guerra".
- Stallone afirmou que uma de suas intenções
em “Rocky IV” é transmitir a idéia de que o
homem é capaz de vencer as máquinas,
referindo-se a cena de treinamento, em que
Ivan Drago utiliza uma série de aparelhos
ultra tecnológicos, enquanto Rocky apenas
utiliza objetos comuns.
- Stallone achou que seria uma boa idéia ao
gravar a cena de luta entre Rocky e Ivan
Drago, fazer uma luta real. Mas, Stallone
não resistiu ao poderoso soco de Dolph
Lundgreen, tendo uma parada cardíaca.
- Depois que Apollo conta para Adrian que
vai lutar com o russo, ele tem um flashback
de quando Clubber Lang o derrubou no
terceiro filme. No flashback, ele está com
um short vermelho, branco, e azul, mas ele
não tinha esse short até a segunda luta.
- Quando Apollo está pronto para lutar com
Drago, ele aparece com luvas de boxe
brancas. Depois ele aparece com Rocky
pulando corda e está sem luvas. Mas da
próxima vez que ele aparece, ele já está com
as luvas novamente.
- As limusines que eles estão dirigindo na
Rússia são carros modelos americanos da
Mercedes Benz. O correto seriam modelos
russos ou europeus.
- Quando Rocky vai iniciar o 1º Round com o
Drago, mesmo antes dele entrar no ringue,
Duke, o treinador de Apollo agora treinando
o Rocky, aparece com a camisa manchada de
sangue. Como isso é possível ele estar
manchando de sangue sem a luta sequer ter
começado?
Rocky V
(Rocky V, 1990)
Direção: John G. Avildsen
Roteiro: Sylvester Stallone
Estréia - EUA: 16 de Novembro de 1990
Sinopse: Na luta com Drago, o lutador russo, Rocky (Sylvester Stallone) acabou recebendo uma lesão permanente. Assim é forçado a se retirar do boxe e, para piorar as coisas, descobre que seu contador roubou sua fortuna. Sem dinheiro e não podendo voltar a lutar, ele começa a treinar um jovem (Tommy Morrison) que promete ser um grande lutador. Mas seu trabalhado não é terminado, pois um empresário atrai o jovem pugilista com um alto salário, mas mestre e aluno ainda vão se reencontrar como rivais.
Elenco: Sylvester Stallone (Rocky Balboa), Talia Shire (Adrian), Burt Young (Paulie), Sage Stallone (Rocky Jr.), Burgess Meredith (Mickey), Tommy Morrison (Tommy), Richard Gant (George W. Duke), Tony Burton (Tony), James Gambina (Jimmy), Delia Sheppard (Karen), Mike Gerard Sheehan (Merlin Sheets), Michael Williams (Union Cane), Kevin Connolly (Chickie), Elisebeth Peters (Jewel)
O quinto filme da franquia "Rocky"
consegue ser sem dúvidas o mais fraco da
série. Exceto por algumas passagens que
fazem lembrar o primeiro – e melhor – filme
da série, "Rocky V" é chato durante a maior
parte do tempo.
"Rocky IV" foi extremamente divertido. Não
tinha mais aquela seriedade dos primeiros
filmes, mas exaltou o ego de Stallone com
uma vitória de Rocky sobre um pugilista
russo, transmitiu sua mensagem e pronto,
seria um bom final para a franquia de
sucesso. Mas, como nem sempre o bom senso se
aplica em Hollywood, é preciso quebrarem a
cara para que aprendam a lição e parem de
fazer filmes para não sujar a imagem da
famosa série. E "Rocky V" foi essa lição.
Após dirigir as três últimas seqüências da
série, Stallone resolveu assumir os cargos
apenas de roteirista e ator, passando a
cadeira de volta para John G. Avildsen,
vencedor do Oscar pelo ótimo trabalho no
primeiro filme. Mas Avildsen pareceu
desaprender como se faz um bom filme.
Após o combate contra Ivan Drago, Rocky vem
a se deparar com uma situação difícil: perde
quase todo o dinheiro graças a um contador
corrupto, e ainda descobre que estava
impossibilitado de continuar a lutar sob o
risco de vida. Volta a morar no bairro de
origem na Filadélfia e passa a conviver com
problemas sociais e pessoais, principalmente
em relação a seu filho. Encontra um
promissor lutador de boxe e decide
treiná-lo. Tudo corria bem até quem um
grande empresário "rouba" o seu pupilo. Os
dois (mestre e aprendiz) acabaram se
enfrentando para decidir quem realmente é o
"campeão dos campeões!"
O mal do roteiro não é nem o tema em si,
pois faz total sentido a decisão de Rocky em
abandonar a carreira – algo que ele pretende
desde o segundo filme - e queira se dedicar
à carreira de treinador, principalmente após
as escoriações no cérebro provenientes da
luta anterior (explicação muito bem
encaixada). Mas, convenhamos, existe graça
em um filme de Rocky sem vê-lo entrar nos
ringues e ver toda sua apreensão antes de
uma luta? A idéia para o destino do
personagem é muito válida, mas longe de ser
suficiente para se fazer um filme. Uns
letreiros no fim do filme anterior,
explicando o destino do personagem, seriam
muito mais convenientes. Como quiseram fazer
mais um filme, o jeito foi apelar para uma
série de situações clichês.
O fato de não ver Rocky se preparando para
uma briga, e sim na posição de treinador, já
não é muito animador de se ver, e tudo piora
muito com o fato de seu pupilo, Tommy Gunn
(vivido pelo fraquíssimo Tommy Morrison),
não ter carisma algum. Assim, fica difícil
torcer por bons desempenhos seus nas lutas,
e mais difícil ainda compreender tamanho
afeto que Rocky adquire por ele, a ponto de
deixar sua família em seu segundo plano
(algo absurdo para quem acompanhou a
essência do personagem durante os outros
quatro filmes da série). E o fato de Rocky
negligenciar a família foi lamentável, pois
a sua relação com seu filho poderia ter
muita carga dramática a ser abordada, mas o
diretor optou pela mesmice do "pai que
trocou o filho por um estranho".
Talvez a intenção do diretor fosse deixar
sempre explícito a possível alteração de
caráter de Tommy que iria ocorrer, mas,
mesmo assim, tudo soou demasiadamente
exagerado. É muito forçado o modo que Rocky,
antes muito relutante em agenciar alguém,
aceita treinar Tommy após um simples jantar
em sua casa e exprimindo uma enorme
empolgação. Porém mais forçado ainda é o
modo que Tommy repentinamente "apunhala
pelas costas" seu treinador, por ele não
achar que seu pupilo ainda não estava pronto
para disputar o título mundial (Anakin
Skywalker?), e para piorar, em pouco tempo
cria um ódio imenso por seu ex-mentor.
E "Rocky V" quebra todos os padrões da
franquia ao apresentar a luta principal não
nos ringues, mas no meio da rua, sem luvas,
sem regras. Tudo bem que a intenção do nosso
protagonista era não satisfazer a vontade do
mega-empresário George Duke de atrair a
mídia através de um confronto entre "mestre
e pupilo", mas, convenhamos, onde está sua
ética? Até onde saibamos, Rocky sempre foi
um homem prudente, e nunca se orgulhou de
ganhar a vida lutando, e acaba que em sua
aposentadoria vai lutar ilegalmente no meio
da rua? Para piorar, o roteiro de Stallone
falha feio ao mostrá-lo como herói brigando
na rua, sendo ovacionado pelo público,
demonstrando uma péssima influência. No fim
das contas, seu ex-pupilo ainda é preso por
cometer tal ato, enquanto ele sai impune.
Afinal, não eram os dois que estavam
violando as leis ao brigar na rua?
Em meio às muitas decepções, o quinto filme
ainda possui alguns momentos que irão fazer
os fãs do original se deliciarem. Toda a sua
volta a sua rua na cidade Filadélfia, a
retratação da academia de Mickey abandonada,
sua antiga jaqueta preta de tigre com um
chapéu-coco, estão presentes, como uma
espécie de homenagem à franquia. Nesses
pontos, o diretor John G. Avildsen acerta em
cheio, principalmente na direção de um
flashback de um diálogo de Rocky com seu
falecido treinador, Mickey, atenuando a
forte relação de pai-filho existente entre
eles, e até justificando sua própria posição
exagerada perante Tommy Gunn. E o diretor
acerta principalmente nesses flashbacks,
mostrando habilidade em momentos como o da
luta final, em que Rocky, prestes a ser
derrotado por Tommy, enxerga a imagem de
Ivan Drago (Dolph Lundgreen, seu adversário
do filme anterior) e Apollo Creed (Carl
Weathers), conscientizando-se que é melhor
do que tudo aquilo e ganhando forças para
não desistir.
Salvo esses momentos, "Rocky V" acaba por
decepcionar os verdadeiros fãs da série por
tamanha distorção de personagens e contexto.
Para os não-fãs, trata-se apenas de mais um
filme de ação mediano. Felizmente, dezesseis
anos depois, Stallone iria ressuscitar a
franquia com "Rocky Balboa", pois uma série
de tanto sucesso como essa merecia de fato
uma conclusão melhor.
COTAÇÃO: 4/10Curiosidades
- Devido fracasso internacional, o filme foi
lançado diretamente em vídeo no Brasil.
- “Rocky V” é considerado quase que por
unanimidade o mais fraco da série, inclusive
pelo próprio Stallone.
- Sage Stallone, que interpreta Rocky Balboa
Jr., é filho de Silvester Stallone na vida
real.
- Tommy Morrison, intérprete de Tommy Gunn,
foi um lutador de boxe profissional de
relativo sucesso no fim dos anos 80, começo
dos 90. Ele venceu muitas lutas por nocaute,
mas a sua 1ª derrota é considerada um dos
nocautes mais impressionantes da história do
boxe peso-pesado.
- Michael Williams, intérprete de Union Cane,
assim como Tommy Morrison, foi um lutador de
boxe profissional na vida real. Como
estratégia de marketing, ele e Morrison
teriam uma luta um mês após a realização do
filme, mas a luta teve que ser cancelada
devida uma contusão de Williams. A luta
seria intitulada "The Real Cane vs. Gunn
Match".
- Quando Rocky vai para a Rússia lutar com o
Russo no filme anterior, seu filho parece
ter aproximadamente 10 anos. Quando ele
volta no início de “Rocky V”, ele aparenta
ter uns 15. Se ele ficou 5 anos na Rússia, a
surra que ele tomou foi feia mesmo, pois
quando ele estava no quarto do filho,
dando-lhe uma moeda Russa, o seu rosto ainda
estava muito inchado.
- Os repórteres que aparecem no filme são
vividos por repórteres reais de jornais da
Filadelfia e TV locais.
- O flashback em que Mickey dá a Rocky uma
abotoadura de uma luva presa em um cordão, é
baseado em uma entrevista que Cus D'Amato
deu em 1985, pouco depois da primeira luta
como profissional de Mike Tyson.
- O personagem George Washington Duke é
baseado na vida do promotor Don King.
Inclusive, o personagem utiliza algumas
vezes a frase de King, ‘Only in América’.
Rocky Balboa
(Rocky Balboa , 2006)
Direção: Sylvester Stallone
Roteiro: Sylvester Stallone,
Estréia - EUA: 22 de Dezembro de 2006
Estréia - Brasil: 09 de Fevereiro de 2007
Sinopse: A glória faz parte do passado para Rocky Balboa (Sylvester Stallone). Dono do restaurante Adrian's, batizado em homenagem à sua falecida esposa, Rocky passa as noites contando aos clientes histórias de sua época de lutador. Rocky Jr. (Milo Ventimiglia), seu filho, não dá muita atenção ao pai, preferindo cuidar de sua própria vida. Sua vida muda após uma simulação de computador colocar Mason Dixon (Antonio Tarver), o atual campeão mundial dos pesos pesados, enfrentando Rocky em seu auge. Dixon fez fama pela facilidade com a qual conseguiu o título, mas como nunca encarou um oponente que realmente o desafiasse é considerado por muita gente como um lutador muito técnico, mas sem alma. A simulação faz com que o agente de Dixon resolva realizar a luta, oferecendo a Rocky uma nova chance de voltar aos ringues.
Elenco: Sylvester Stallone (Rocky Balboa), Burt Young (Paulie), Milo Ventimiglia (Rocky Jr.), Geraldine Hughes (Marie), James Francis Kelly III (Steps), Tony Burton (Duke), A.J. Benza (L.C.), Henry G. Sanders (Martin), Antonio Tarver (Mason Dixon), Pedro Lovell (Spider Rico), Ana Gerena (Isabel), Angela Boyd (Angie), Louis Giansante (Bar Thug), Carter Mitchell (Shamrock Foreman), Vinod Kumar (Ravi), Robert Michael Kelly (Sr. Tomilson), Mike Tyson, LeRoy Neiman, Lou DiBella
Trinta anos depois do primeiro filme, uma
das franquias mais conhecidas do cinema está
de volta. Com ela, muitas incertezas e
muita, mas muita, insegurança quanto à sua
qualidade.
Em 1976, estreava a melhor franquia de boxe
de todos os tempos. Era o ano de estréia de
"Rocky - Um Lutador". O filme, estrelado por
Sylvester Stallone, enlouqueceu pessoas de
várias idades, inclusive os garotos que, se
espelhando no personagem principal,
começavam a praticar boxe. Rocky representa
perfeitamente bem a paixão americana pelo
boxe e, faça o que fizer, esse título merece
respeito no mundo cinematográfico dos
blockbusters.
De todos os cinco filmes da série, sempre há
algo bom para se tirar, nem que seja uma
cena ou outra. Temos personagens memoráveis
como Apollo Creed, que esteve nos quatro
primeiros filmes, como também o glorioso
Paulie (Burt Young), que aparece em todos os
longas como o manager sempre ativo do quase
imbatível lutador. Quando, em 1985, estreou
"Rocky IV", tudo poderia ter parado ali, no
auge, mas a teimosia culminou em um "Rocky
V", exatamente cinco anos mais tarde, o que
foi um desastre, todavia, mesmo assim, ainda
foi aceitável. O que pensar então de um
"Rocky" dezesseis anos depois do quinto, com
a estrela da festa, no caso Sylvester
Stallone, bem velho e, convenhamos, em um
tempo que os filmes de luta não vingam
tanto? É, mais um erro de teimosia. Porém,
como já disse, temos que respeitar essa
série.
No sexto filme, intitulado "Rocky Balboa", o
Touro Italiano se encontra como gerente de
um restaurante que, provavelmente, só se
mantém por ter um dos nomes mais apreciados
na Filadélfia como dono dele. Nesse
restaurante, Rocky é, volta e meia, chamado
para uma foto, para dar um autógrafo ou
relatar algum momento de sua carreira. Vemos
também seu filho - interpretado por Milo
Ventimiglia do seriado "Heroes" -, que não
se sente muito confortável com o sobrenome
glorioso do pai. Rocky está mais sentimental
com a ainda eminente perda da esposa Adrian
que tanto esteve ao seu lado em sua
vitoriosa carreira.
Nessa trama somos apresentados a um Rocky
aposentado, velho, recluso ao cotidiano de
pessoas comuns, com divergências familiares
e sofrendo por perdas de entes queridos.
Todavia, para esse mesmo Rocky, pelo fato de
não se sentir ultrapassado ao ver uma luta
feita por computação gráfica entre Rocky e o
atual campeão mundial de Boxe, Manson "The
Line" Nixon (Antonio Tarver), resolve voltar
à ativa. Nas entrelinhas, vemos que a real
finalidade do ex-lutador é, sem dúvidas, de
se auto-afirmar.
A insanidade de Rocky é até uma analogia à
produção desse filme. Ora, tal como Rocky
não precisa mais mostrar nada ao mundo, a
franquia "Rocky" também não precisaria, mas
ambos pensam que sim e estão aí, de volta
aos velhos tempos.
Mesmo sendo muito taxativo na minha opinião
de não ser preciso um "Rocky VI" , fui com
muito respeito assisti-lo. Desde o início
ficava claro que era um projeto feito para
fãs, onde só os fãs conseguiriam se cativar
e se manterem acordados. Balboa não luta,
não corre, mas dá demonstrações de ser o
velho e bom Touro Italiano que aprendemos a
apreciar. As cenas são do cotidiano de um
lutador aposentado. Logo, com tanta
nostalgia pairando no ar, esse tempo seria
necessário para que tudo, realmente tudo,
fosse aprofundado, mas somente o atual
momento do ex-lutador foi. Quando tenta,
tardiamente, aprofundar os elementos do
roteiro - como: a rasa relação com seu
filho; um frio e forçado relacionamento com
Marie (Geraldine Hughes), a garçonete que
acabara de conhecer, e seu filho Steps
(James Francis Kelly III) -, o filme se
perde, pois muito tempo já fora desperdiçado
com inutilidades. Afinal de contas, nós
conhecemos muito bem o instinto campeão de
Rocky, não precisamos saber ainda mais.
Se fosse para voltar com a franquia "Rocky",
que voltasse com uma melhor direção. Tudo
bem que Sylvester Stallone já dirigiu, foi
quem criou essa estória e conhece o
personagem como ninguém, mas a nostalgia que
tentou empregar à direção simplesmente não
funcionou completamente bem. Talvez um
diretor com mais cartas nas mangas para
conseguir alcançar tal objetivo fosse melhor
para esse trabalho. Mesmo que fosse em uma
parceria com Stallone, mas seria de bom
grado.
A parte nostálgica que funcionou bem foi a
trilha sonora e a luta final. Não julgando o
desfecho dessa luta, mas a qualidade dela em
si que, para quem é fã, é espetacular.
Rocky, no início do embate, soa fraco,
desajeitado e totalmente com falta de
coordenação em seus golpes, entretanto o
mesmo estilo de se filmar luta que se usava
nos anos 80 e começo dos 90 é utilizado. São
esbanjados trechos em preto e branco,
misturado com a angustia dos lutadores e
tudo passando na velocidade certa,
culminando em um assalto final. O resultado
da luta? Bom, ele é somente o resultado de
uma belíssima coerência.
As escolhas dos atores foram normais, mas há
de se salientar a boa escolha de Milo
Ventimiglia para interpretar o filho de
Rocky. Ninguém melhor se encaixaria no
papel. Já conhecendo Milo do seriado "Heroes",
onde ele vive o protagonista Peter Petrelli,
vibrei quando o vi no elenco e mais ainda
quando o vi atuando. É um ator da nova
geração e que tem, pasmem, muitos dos
trejeitos faciais do Stallone. Pense: o que
mais chama atenção na face do ator? Isso
mesmo, a boca torta. Pois isso, Milo
Ventimiglia tem, naturalmente, já que no
seriado "Heroes" essa mesma boca muito torta
está lá.
O melhor do filme, além de um final fugindo
do clichê, é a velha e boa cena do
treinamento. Rocky correndo, malhando,
trocando socos no ar e, no final, dando a
sua última subida às escadas para deixar o
melhor da nostalgia dessa franquia no ar.
Logo que a cena começa e, com ela, os
primeiros acordes da trilha sonora de Bill
Conti, os outros filmes vêm à mente. Vêm na
cabeça Rocky treinando na neve para lutar
contra o soviético Draco, bem como ele
socando as carnes no açougue preparando-se
para seus intermináveis embates contra, e
mais por, Apolo "Doutrinador". Enfim, isso
já faz o filme impagável para os fãs que
andavam um pouco esquecidos dessas cenas.
Realmente não era preciso ter um sexto filme
de "Rocky", mas teve e, salve alguns erros,
devemos até nos sentir bem, pois poderia ter
sido pior. Tendo em vista que é uma trama
bem direcionada para fãs, as propostas do
filme foram bem alcançadas e ele conseguiu
apagar a imagem ruim deixada por "Rocky V",
que, convenhamos, nem vinha afligindo tanto
assim a cabeça dos seguidores da série. Esse
é um desfecho, por incrível que pareça, com
chave de ouro. Que paremos por aqui.
COTAÇÃO: 7/10Dezesseis anos após o fraco “Rocky V”, o
sexto filme do boxeador mais famoso do
cinema consegue limpar a imagem ruim deixada
pelo filme anterior, encerrando com chave de
ouro a franquia. E assim como seu
personagem, Sylvester Stallone mostra ao
mundo que não está acabado.
Há alguns anos, Sylvester Stallone,
considerado uma referência para os filmes de
ação, vem colecionando em sua carreira uma
série de fracassos e filmes de segunda. O
velho ditado de que “quem vive de passado é
museu” parece não ser levado muito a sério
por Stallone, que, na esperança de trazer
uma luz à sua carreira, resolve estrelar,
dirigir e roteirizar o sexto filme da
franquia Rocky, um de seus papéis mais
marcantes do passado. Os motivos para
encarar o novo filme com um pé atrás são
muitos, afinal, trata-se de uma tentativa
desesperada do astro em reerguer sua
carreira. Por incrível que pareça, o filme
acaba por se mostrar um belo trabalho, e
para quem é um legítimo fã da franquia
Rocky, este “Rocky Balboa” trata-se de um
belo presente, repleto de referências e
homenagens aos filmes originais.
A glória faz parte do passado para Rocky
Balboa (Sylvester Stallone). Dono do
restaurante Adrian's, batizado em homenagem
à sua falecida esposa, Rocky passa as noites
contando aos clientes histórias de sua época
de lutador. Rocky Jr. (Milo Ventimiglia),
seu filho, não dá muita atenção ao pai,
preferindo cuidar de sua própria vida. Sua
vida muda após uma simulação de computador
colocar Mason Dixon (Antonio Tarver), o
atual campeão mundial dos pesos pesados,
enfrentando Rocky em seu auge. Dixon fez
fama pela facilidade com a qual conseguiu o
título, mas como nunca encarou um oponente
que realmente o desafiasse é considerado por
muita gente como um lutador muito técnico,
mas sem alma. A simulação faz com que o
agente de Dixon resolva realizar a luta,
oferecendo a Rocky uma nova chance de voltar
aos ringues. Para isso, Rocky tem que
enfrentar a descrença de uma povo, que
acredita que sua época já passou.
Antes de tudo, é bom deixar claro que “Rocky
Balboa” é bem mais que uma continuação, é um
típico “filme-homenagem” direcionado aos
fãs. Nele, estão presentes uma série de
detalhes que apenas os fãs irão reconhecer -
e certamente irão delirar – como a aparição
de Spider Rico, primeiro adversário de Rocky
no primeiro filme, o retorno de Marie, que
no primeiro era apenas uma garota e aparece
rapidamente, e até mesmo suas tartarugas de
estimação, Zás e Trás, marcam presença. E
esses são apenas detalhes pequenos perante
cenas de importância para a trama, como a
angústia de seu cunhado Paulie ao relembrar
detalhes do passado, os inúmeros flasbacks
dos quatro filmes originais (acertadamente,
o medonho quinto filme ficou de fora das
nostalgias), os detalhes da rua na cidade da
Filadélfia onde Rocky morava, etc. São
detalhes que para quem não viu os filmes
anteriores, não tornam este ruim, porém,
fica uma certa sensação de vazio. É até
normal que para quem não conhece a fundo a
série, ache esse novo filme demasiadamente
parado, aumentando a adrenalina apenas nos
momentos finais, quando chega a hora da tal
luta.
A grande vantagem do filme é que ele mantém
toda a áurea dramática que marcou os dois
primeiros filmes da série – vale lembrar que
do terceiro em diante, os filmes apenas
apelaram para a ação -, tendo como principal
ponto a interação do personagem principal
com os que estão ao seu redor. Acompanhamos
um Rocky velho, gordo, cuja imagem do
lutador campeão sobrevive apenas nas mentes
das pessoas. E esse Rocky que vemos, é
aquele mesmo a quem fomos apresentados em
1976: bobão, ingênuo, nada inteligente, mas
uma pessoa extremamente íntegra que procura
o bem estar social, e ainda tenta dar lições
de moral. E esse resgate a sua personalidade
é muito bem sucedido, e Stallone que cria
situações bastante propícias, como o momento
em que ele tenta dar um sermão na Federação
de Boxe (com muita dificuldade, vide as
limitações intelectuais do personagem); e
quando ele aborda um grupo de jovens
rebeldes no meio da rua.
Como Stallone já havia dito antes em
declaração, não poderia haver apelo
emocional maior para o filme do que
apresentar a amada esposa de Rocky, Adrian (Talia
Shire, que apenas aparece em flashbacks),
pois quem conhece a série sabe que ela é a
fonte de inspiração e motivação para tudo na
vida de Rocky, e vê-lo tocando sua vida, e
tentando voltar aos ringues sem sua
presença, foi muito bem abordado. Para isso,
a inclusão de Marie (agora vivida pela
iniciante Geraldine Hughes, que cumpre bem
seu dever) na trama, mesmo que um pouco
forçada, foi muito bem aproveitada. Isso
porque, por mais que pareça que Rocky queira
algo a mais com ela ao tentar ajudá-la de
todas as maneiras, percebemos através do
perfil do herói (um eterno apaixonado pela
falecida esposa), que ele apenas quer
companhia, uma figura feminina por perto que
o motive a seguir com suas metas. Da mesma
forma, sua conturbada relação com seu filho
(agora vivido por Milo Ventimiglia, da série
“Heroes”, que apesar da razoável semelhança
facial com Stallone, se apresenta um tanto
inseguro a maior parte do tempo) serve como
forte gancho para a desenvoltura dramática
do herói.
A forte carga dramática é bem construída por
Stallone, mas quando se dá início sua cena
de treinamento para a almejada luta, é
impossível não sentir a adrenalina subir no
sangue e relembrar de todos os momentos de
impacto dos filmes anteriores. Ouvir a
clássica canção “Gonna Fly Now”, de Bill
Conti, e ver Rocky gordo, dedicando-se
duramente para recuperar a forma física, é,
no mínimo, instigante. Pena que as ótimas
cenas de treinamento tenham um tempo tão
curto, pulando logo para a luta final. Por
fim, a luta final é igualmente emocionante.
Diferente das que estávamos acostumados a
assistir, esta se assemelha a uma exibição
de TV, dando um maior realismo e
contemporaneidade. E Stallone demonstra
exímia habilidade na direção nesses
momentos, dando toques únicos, como quando a
o cenário fica em preto e branco com apenas
alguns detalhes coloridos (simbolizando o
novo e o velho em um mesmo espaço). Chega a
um ponto que fica simplesmente impossível
não torcer por Rocky, ao conferirmos toda
sua força de vontade e resistência
sobrepondo sua atual falta de habilidade.
Muitos podem ter achado desnecessária a
realização de um novo Rocky, mas
convenhamos, uma série tão rica como essa
merecia um desfecho melhor do que aquele
quinto filme, e “Rocky Balboa” conseguiu
muito bem esse feito, sendo mais do que uma
conclusão, uma bela homenagem. Assim como o
primeiro filme de 1976, ele consegue nos
transmitir várias lições de persistências,
de acreditar em si próprio, na busca pelo
respeito, e o desfecho fora do clichê
representa bem essas vertentes. Pode parecer
ironia as semelhanças das trajetórias de
Stallone e seu personagem, mas exatamente
por isso é notório tamanho carinho para com
a produção. Que venha "Rambo IV".
COTAÇÃO: 8/10Curiosidades
- Além de Sylvester
Stallone, apenas Burt Young e Tony Burton
atuaram nos 6 filmes da série Rocky.
- Mr. T e Dolph Lundgren receberam propostas
para reprisar seus personagens de Rocky III
- O Desafio Supremo (1982) e Rocky IV
(1985), mas as recusaram.
- Sage Stallone, filho de Sylvester Stallone,
recusou-se a interpretar mais uma vez o
personagem Rocky Jr., o qual havia
interpretado em Rocky V (1990). O motivo
foram obrigações que possuía junto à
produtora Grindhouse Releasing.
- Segundo o túmulo presente em Rocky Balboa,
a morte da personagem Adrian Balboa ocorreu
em 11 de janeiro de 2002.
- Antonio Tarver, intérprete de Mason Dixon,
foi campeão mundial dos meio-pesados em
2003, tendo se aposentado dos ringues em
2006. Para poder atuar em Rocky Balboa ele
teve que ganhar 9 quilos, de forma que
pudesse mudar de categoria para peso-pesado.
- Antonio Tarver teve 5 semanas de
preparação antes do início das filmagens,
onde pôde aprender a coreografia de cada
soco dado em cena.
- As cenas da luta entre Rocky Balboa e
Mason Dixon foram as primeiras a serem
rodadas. O motivo é que desta forma Stallone
poderia estar no auge de sua forma física,
algo que com o andar das filmagens seria
perdido devido ao seu trabalho como diretor,
que consumiria o tempo necessário para
treinamento.
- Os produtores entraram em acordo com a HBO
para aproveitar as imagens da luta real de
boxe entre Bernard Hopkins e Germaine
Taylor, que seria gravada para exibição em
pay-per-view. Desta forma o público presente
e a própria estrutura montada para o evento
puderam ser usados para a realização de
algumas cenas no local.
- A HBO autorizou a filmagem de uma cena em
que Rocky entra na arena lotada e anda pelo
corredor até chegar ao ringue. Já no ringue
Stallone levantou os braços e o 14 mil
presentes gritaram o nome de Rocky.
- Rocky Balboa possui flashbacks de todos os
filmes da série, com exceção de Rocky V
(1990). Stallone considera ser este o pior
filme da série.
- O set de filmagens foi visitado por Arnold
Schwarzenegger, Governador da California,
que deu a Stallone um certificado de
agradecimento por apoiar a indústria de
cinema do estado.
- O orçamento de Rocky Balboa foi de US$ 24
milhões.Rocky VI
Trinta anos após o primeiro
filme, Sylvester Stallone encerra a mítica saga do pugilista com ‘Rocky
Balboa’, um papel para o qual teve de enfrentar vários obstáculos. Além das
dietas para perder peso, ‘Sly’ foi ainda várias vezes ‘ao tapete’.No sexto filme de ‘Rocky’, cuja estreia acontece dia 22, nos EUA – em
Portugal só em 2007 –, Stallone não pôde esconder o que a idade não
perdoa. Se, aquando da primeira película, o actor exibiu toda a energia
dos seus 30 anos, neste novo filme teve de lutar contra os seus actuais
60.“A idade era o principal obstáculo para levar avante o
projecto junto dos estúdios. Para os responsavéis, eu era muito velho
para lutar”, revelou o actor ao ‘site’ AICN.Para Stallone, que
dá corpo a um Balboa da Terceira Idade que regressa ao desporto apenas
por necessidades económicas, o filme “é sobre o não desistir face à
adversidade. Aliás, esta película foi cem mil vezes mais difícil de
fazer do que a primeira”.Na sua opinião, o mais importante do
novo filme era a possibilidade de lidar com outras questões. “Achei que
seria interessante mostrar como um homem lida com a parte final da sua
vida, porque todas as pessoas acabam por lá chegar”, explicou Stallone,
para quem este filme foi o “mais emocional” e “preenchedor” da saga.“‘Rocky’ está muito acima da idades mas o seu físico parece ser
competitivo”, referiu o actor que, para voltar aos ringues, se viu
obrigado a iniciar uma dieta rigorosa em proteínas e suplementos, pois,
a um mês das filmagens, “não cabia nos calções”. Para obter um físico adequado à personagem, Stallone confessou que o exercício realizado foi uma prova à sua resistência. “Fiz
muito levantamento de pesos que mal aguentava”, comentou o actor que,
pela primeira vez, luta contra um pugilista profissional, Antonio
Tarver, em vez de actores, como nos outros filmes da saga.“Esta
é a primeira vez que Rocky luta de verdade com um profissional. Aliás,
esta foi uma exigência minha, pois os actores têm tendência a imitar a
precisão do pugilista e, isso, parece ridículo no grande ecrã”,
explicou Stallone, que ainda assina o guião e realizou o filme.
A
luta com um profissional pode ter acrescentado maior realismo, mas a
verdade é que Stallone foi várias vezes ‘ao tapete’ por KO. “Se alguém
quer ver uma luta real, e não apenas os truques das câmaras por cima
dos ombros, então vai gostar mais deste filme do que dos anteriores”,
adiantou o actor.
O filme
No novo filme, Rocky
Balboa é dono de um restaurante no Sul da Filadélfia, onde passa os
dias tirando fotografias com antigos fãs do pugilismo e recordando os
“bons tempos” das lutas com Apollo Creed. O seu filho Robert Jr. (Milo
Ventimiglia) trabalha numa grande empresa e não visita o pai.
Para
aliviar a situação financeira e reviver os dias de glória, Rocky decide
então aceitar o desafio lançado pelos media para lutar com o
super-campeão Mason Dixon (Antonio Tarver).
Graças ao filme, Stallone confessou ter “aprendido a apreciar o que é valioso na vida, o amor dos outros, o perigo da solidão”.
UMA SAGA RENTÁVEL
Iniciada em 1976, a
saga ‘Rocky’ revelou-se uma verdadeira ‘mina’ de ouro para Stallone.
Além dos três Óscares conquistados logo em 1977 (Melhor Filme,
Realização e Montagem), a saga rendeu cerca de mil milhões de dólares
nas bilheteiras de todo o Mundo. Stallone, curiosamente, apenas
embolsou 23 mil dólares no primeiro filme, mas nos seguintes a fasquia
subiu para os 15 milhões apenas pela interpretação.